Por Christina Radish (12 de abril de 2019)

Dirigido por Jenny Gage e baseado no imensamente popular livro de Anna Todd, o drama romântico After segue Tessa Young (Josephine Langford), que embarca no seu primeiro ano da faculdade como uma aluna dedicada e uma filha obediente, até que sua colega de quarto a convence a experimentar o lado social da faculdade. Depois que um jogo de verdade ou desafio leva a uma rejeição que intriga a misteriosa importação britânica Hardin Scott (Hero Fiennes-Tiffin), os dois aprendem que eles têm mais em comum do que eles poderiam imaginar mas ao mesmo tempo, o segredo que Hardin está escondendo poderia romper qualquer chance que eles têm de um amor real.

No dia de entrevistas do filme em Los Angeles, Collider teve a oportunidade de sentar e conversar com a atriz australiana Josephine Langford sobre como ela acabou interpretando Tessa depois de originalmente ter feito teste para outro papel, como ela se conectou à sua personagem, o que ela achou desafiador sobre papel, filmar a cena do lago, ter Selma Blair interpretando sua mãe, a importância de Tessa fazer suas próprias decisões em sua vida e no amor, se ela seria tão indulgente quanto sua personagem, os mais engraçados e os mais desafiadores dias no set, o que a levou a ser uma atriz e a série de TV que ela adoraria fazer uma convidada especial.

Collider: Você originalmente fez teste para uma personagem diferente, como você acabou interpretando Tessa?
Então, meus amigos estavam fazendo testes e eu estava como, “O que é isso?”. Eu estava torcendo pelos meus amigos mas eu estava: “O que é essa gravação que estamos prestes a fazer?” E eles estavam tipo, “Oh, é só essa coisa. Você não pode fazer teste para isso porque você precisa de um green card e também tem conflito com o trabalho que você está gravando.” E aconteceu, eu não fiz a audição. Três meses depois, eles haviam adiado as datas da filmagem e tinham selecionado a Tessa, mas eu consegui um teste para Molly porque de repente eu estava disponível quando eles adiaram as datas de filmagem. Essa foi uma das únicas audições que eu já fiz, onde eu não li o roteiro de antemão porque eu literalmente não tinha tempo aquela semana. Então, eu fiz a audição e fiz um retorno de chamada, e então eu recebi uma ligação dizendo, “eles querem você para o papel principal.” Então eu li o roteiro e eu estava tipo, “Oh, sim, isso parece uma sensação melhor.”

Collider: Então, você claramente não estava familiarizada com os livros.
Eu não sabia sobre os livros. Quando meus amigos fizeram audição para o filme, eles estavam tipo, “é, aparentemente é baseado em uma saga de livros bem-sucedida.”

Collider: E então, você descobriu quão insanamente bem-sucedida essa saga de livros é?
E é, e isso acontece muito com audições. Você vai ler algo e vai ter duas grandes celebridades. Você vai ler outra coisa, e tem uma fanbase imensa. Tem tantos projetos aí fora, que têm tantas coisas sobre eles que são bem-sucedidas, que às vezes é difícil perceber qual deles vai estourar.

Collider: Qual foi a coisa sobre Tessa que você se sentiu mais conectada?
Com todos os personagens que eu já interpretei, eu sinto que eu compreendi o jeito que ela pensava e como ela era. Nós temos um monte de pequenas coisas em comum. Eu li e eu estava assustada sobre alguém interpretando ela muito caricata porque eu sabia que isso era tão possível para alguém fazer o papel como uma personagem tensa, conservadora, unidimensional. E eu estava tipo, “Eu quero interpretar ela porque eu quero fazer isso certo.”

Collider: O que você mais se sentiu desafiada, com Tessa?
Eu tive que fazer um sotaque para o papel, mas eu não tinha que fazer maneirismos loucos, para mim, a coisa mais desafiadora foi nos bastidores das filmagens, estar em literalmente todas as cenas, gerenciando a continuidade emocional e lidando com agendamento e filmagem tudo fora de ordem. Eu nunca tive que lidar com isso antes, então eu achei que isso foi o mais desafiador sobre gravar o filme.

Collider: Como você achou o sotaque?
Eu estava praticando o sotaque americano por anos, e eu fiz isso em alguns papéis diferentes, então eu estava bem confiante. Foi tudo bem.

Collider: A cena do lago entre Tessa e Hardin é realmente bonita de se ver, e parece como algo que soaria muito divertido no papel, mas na verdade, parece que pode ter sido um pouco desafiador fazer isso. Como foi para filmar?
Foi uma das melhores e uma das piores cenas. Nós tivemos que filmar por três dias no lago. Teve um dia em que tivemos uma trovoada, e a cada 30 minutos, nós tínhamos que sair da água e nos mover para o acampamento. Foi um pesadelo. Então, teve um momento que estava muito frio, e nós estávamos de pé no cais, congelando e tentando controlar os calafrios. Não foi bom. Teve um momento onde estava muito quente e nós tivemos que pular e nadar, o que foi ótimo. Isso foi realmente divertido. Mas, definitivamente tiveram desafios em filmar lá.

Collider: Quando eu assisti esse momento, eu me perguntei se você era capaz de passar pelo diálogo sem engasgar com a água e eu me perguntei se você estava preocupada com o que estava naquela água.
Quando nós estávamos beijando, foi muito engraçado porque deve haver tantos sequências onde estávamos apenas entrando e saindo da água. Eu não conseguia parar de rir porque nós estávamos engolindo água e tentando fazer essa cena de beijo romântico. E nós tivemos uma pessoa que cuida de cobras lá porque tinham cobras no lago. Eu sou da Austrália então eu estou acostumada com isso.

Collider: Como foi ter Selma Blair interpretando sua mãe?
Ela é maravilhosa! Ela é tão hilária. Ela é tão boa. Nós temos tanto em comum que foi muito hilário que tenhamos sido escolhidas para mãe e filha porque nós até andamos da mesma maneira. Ela é tão engraçada. Nós entramos em uma sala para fazer uma cena, e logo antes de entrarmos (em cena), ela gritava algo como: “Mangas!” E então, estávamos todos tentando controlar nossa risada, enquanto estávamos fazendo a cena, mas ela ficaria bem porque ela é apenas uma profissional.

Collider: Eu realmente achei que foi uma decisão inteligente de suavizar um pouco o Hardin no filme. Ele pareceu muito mais babaca no livro.
Bem, quando você tem 600 páginas para falar sobre um personagem e para descrever o personagem, é diferente de ter uma hora e meia no filme. Você tem que adaptar algumas vezes, caso contrário não funciona. Nós apenas temos algumas cenas para a audiência para ver como ele é. Há sempre pequenas coisas que você tem que mudar para adaptar algo à um filme. Se tivermos sorte o suficiente para ter mais filmes, e adaptar o segundo e o terceiro e o quarto livro, definitivamente haverá muito mais do relacionamento complicado deles. Eles discutem muito, e isso é algo que nós estamos tentando trazer para os outros filmes. É difícil escrever isso quando você tem quatro minutos na tela para fazer uma cena de discussão e resolvê-la. É muito mais difícil do que quando você tem cem páginas no livro. Então, tem alguns elementos do relacionamento que definitivamente vão ser mais mostrados nos filmes seguintes, se nós tivermos filmes seguintes. Para esse filme, foi tão importante que nos focamos em estabelecer o relacionamento primeiro antes de entrarmos nas complicações do relacionamento.

Collider: É ótimo que Tessa faz todas as suas próprias decisões ao longo do filme e ela fala o que ela quer e o que ela não quer.

Ela faz o que ela quiser, de acordo com seus próprios níveis de conforto.

Collider: Isso foi algo que estava sempre no roteiro, ou foi sempre falado, ao longo do caminho?
Estava sempre no roteiro e eu acho que estava sempre no livro. Tiveram algumas pequenas revisões que Jenny Gage fez para o roteiro, que foram fantásticas, mas sempre foi uma parte do livro, também. Tessa faz o que ela quer, de acordo com seus próprios níveis de conforto. Quando a mãe dela está tipo, “não fique com esse menino”, ela não escuta. Quando as pessoas estão tipo, “você não fez sexo ainda, você deveria”, ela não escuta isso. Ela faz o que ela quer, e isso não é sobre o que as outras pessoas ao redor dela querem que ela faça. Ela está no controle da sua própria sexualidade, e isso é algo que sempre foi uma parte dos livros, e algo que sempre foi muito importante sobre eles. Ela está aberta à novas experiências, e ela está curiosa e quer tentar coisas. Ela nunca foi pressionada pelo Hardin a fazer nada, e ela não se deixa ser por outras pessoas.

Collider: Você sente que se você estivesse na situação da Tessa, você seria tão indulgente quanto ela, ou você acha que você iria reagir de forma diferente da dela?
A resposta honesta é que eu não sei. Amor é uma emoção muito forte, e é uma emoção muito poderosa. Eu não acho que você pode prever o que você faria nessas situações. Eu tenho amigas que dizem que elas nunca perdoariam traição, mas então elas se apaixonam, o cara trai e elas perdoam ele. Eu não sei o que eu faria.

Collider: Você teve um dia muito divertido no set, e houve um dia muito desafiador?
O dia mais desafiador foi uma cena altamente emocional que acontece no final do filme. Eu não quero falar especificamente o que, mas foi filmado ao longo de 16 horas. Foi só uma cena, de um milhão de ângulos diferentes, e fazer essa cena repetidamente, por 16 horas, foi difícil. Eu lutei com isso. Tudo com a Selma foi provavelmente o melhor. Eu também achei as coisas da montagem muito divertidas porque você pode conversar, mas eles não estão gravando o que você está falando, então você pode fazer qualquer coisa.

Collider: Você teve um monte de mulheres envolvidas nessa produção, desde a diretora até a autora e as produtoras, e o elenco é formado por um grupo muito diverso e interessante de atores.

Todo mundo achou que foi muito importante, e realmente tentaram se certificar que tinha muita diversidade no elenco. Você sempre pode se esforçar por mais. É algo que não acontece o suficiente na indústria, mas todo mundo achou que era tão importante que nós temos pessoas com orientações sexuais diferentes, raças diferentes e idade diferentes, então todo mundo tem algo para se identificar. Se você está fazendo um filme, as pessoas nele têm que se parecer e representar como as pessoas no mundo real aparentam. Eles apenas fazem. Não fazer isso não faz nenhum sentido. É apenas idiota.

Collider: Porque você chegou a isso tão tarde, teve um momento em que finalmente se juntou a todos e as coisas pareceram que realmente dariam certo?
Exceto por Hero [Fiennes-Tiffin], cada pessoa foi colocada no elenco em pouco tempo. Alguns dos personagens foram escolhidos um dia antes de aparecerem no set. Então, foi provavelmente no meio do caminho, ou no fim das filmagens, quando todo mundo já tinha sido escolhido e todos nós saímos, onde ficamos tipo, “Okay, é isso.” Isso foi a realidade de fazer um filme. Às vezes você aparece e é tipo, “esse é o cara que você vai beijar,” e você faz a cena.

Collider: Quando você assume algo assim, onde é um papel principal tão grande e um personagem que várias pessoas amam de uma saga de livro que é muito amada, foi algo que você se sentiu realmente pronta ou é algo que você realmente aprendeu muito sobre?
Eu não sei. Para mim, eu só li o roteiro e eu estava tipo, “esse é o papel que eu estou fazendo,” e eu apareci no set e eu fiz isso. Eu não penso muito sobre todo o resto. O que eu aprendi nisso foi que eu realmente gosto desse processo e eu amo isso. Eu estou tão feliz que eu tenho o privilégio de fazer isso, como uma carreira. Isso foi o que eu aprendi. Algumas experiências no set não são boas, e algumas vezes o processo de audição não é divertido. Há um monte de coisas diferentes sobre essa indústria que pode fazer você não gostar disso. E então, quando você tem uma experiência e é realmente boa, e você está em um papel que você gosta com pessoas que são maravilhosas, te dá um impulso e faz você ir, “é por isso que eu estou fazendo isso.” Isso substitui todos os momentos onde não parece gratificante..

Collider: Um monte de crianças dizem que querem ser atores, assim como eles dizem que querem ser astronautas, bombeiros ou veterinários. Como você decidiu tomar esse passo para fazer isso acontecer, de verdade?
Eu sempre soube que eu ia ser uma atriz, e eu queria ser uma atriz porque não tinha mais nada e eu estava tipo, “Eu quero fazer isso para viver.” Eu cresci em uma cidade muito pequena e isolada que não é incrivelmente carregada de indústria. Nós só temos quatro agentes em toda a cidade, então demorei um pouco para descobrir como um agente era e como a indústria funciona. Foi um processo realmente demorado de aprender como as coisas funcionam e como entrar na indústria.

Collider: Também ajudava que sua irmã, Katherine, estava passando por isso igualmente ou vocês seguiram caminhos muito diferentes?
Nós seguimos caminhos diferentes. A maneira como eu consegui um agente dos Estados Unidos foi através de alguém que me apresentou à eles, e ela conseguiu seu agente nos Estados Unidos através de um workshop. Nós temos diferentes caminhos para descobrir e entrar na indústria.

Collider: Você sabe o que você vai fazer a seguir ou você já pensou no que você deseja fazer a seguir?
Tem alguns projetos que eu li recentemente que eu amo. Eu ainda estou no processo de conhecer eles, então eu não tenho nada bloqueado ou aguardando. Eu tenho algumas coisas por aí.

Collider: Quando você lê algo, você instintivamente sabe se algo não é para você?
Eu passo por muitas coisas. Tem algumas coisas que eu li que eu não senti nenhuma conexão, mas algumas pessoas podem sentir. É incrivelmente pessoal, coisa subjetiva, e é o mesmo com as coisas que eu estou apaixonada sobre. Não é o gênero. Não é o personagem. Você lê algo e tem algo inexplicável sobre isso que faz você querer fazer.

Collider: Você está procurando por filmes e projetos de TV?
É, eu estou. Com TV, você só tem que ter um cuidado extra para ser o que você realmente ama, porque obviamente é um contrato mais longo. Mas com certeza, eu estou interessada em ambos.

Collider: Tem algum programa de TV atual que você ama que você adoraria fazer um participação ou um arco?
Tem tantos. Eu não posso escolher, então eu só vou com a última coisa que eu assisti que foi Sex Education do Netflix. Foi maravilhoso e eu acho que seria bem divertido fazer uma participação. Eu adoraria fazer participações. Isso soa muito divertido.

After já está nos cinemas.

Matéria: Collider | Tradução: Carol (Equipe Josephine Langford Brasil)

Josephine Langford nasceu no dia 18 de agosto de 1997 em Perth, Australia, filha dos médicos Elizabeth e Stephen Langford e irmã mais nova de Katherine Langford. Desde cedo, Josephine já sonhava em ser atriz e em 2013 iniciou sua carreira e desde então nunca parou.

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